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Capacitismo: atitudes e expressões que reforçam barreiras

O capacitismo é uma forma de preconceito e discriminação baseada na ideia de que pessoas com deficiência seriam menos capazes, menos produtivas ou menos aptas à participação social. Embora nem sempre seja intencional, ele se manifesta em atitudes, comportamentos e expressões que reforçam estereótipos, limitam a autonomia e contribuem para a exclusão.

De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o capacitismo está presente em situações cotidianas que muitas vezes passam despercebidas, como infantilizar pessoas com deficiência, presumir incapacidade, oferecer ajuda sem necessidade ou tratar suas conquistas como atos de heroísmo ou superação extraordinária.

Também se manifesta na linguagem. Expressões como “deu mancada”, “fingir demência”, “não temos braço para isso” ou “deu uma de João sem braço” associam características ou condições de deficiência a comportamentos negativos, reforçando preconceitos historicamente construídos. Da mesma forma, termos como “retardado”, “mongol”, “demente”, “portador de deficiência” ou “portador de necessidades especiais” são inadequados e devem ser substituídos por terminologias respeitosas e alinhadas aos direitos humanos.

A perspectiva da inclusão reconhece que as pessoas com deficiência são sujeitos de direitos e que a participação plena na sociedade depende da eliminação de barreiras físicas, comunicacionais, digitais, pedagógicas, institucionais e atitudinais. Nesse contexto, combater o capacitismo significa promover relações mais respeitosas, ambientes mais acessíveis e oportunidades equitativas para todas as pessoas.

A mudança de linguagem, por si só, não elimina o preconceito, mas representa um passo importante para transformar práticas sociais e construir uma cultura baseada no respeito à diversidade humana.

Entre os exemplos de atitudes capacitistas apontados por especialistas e instituições de referência estão:

• Infantilizar pessoas com deficiência ou presumir incapacidade para tomar decisões;

• Tratar conquistas pessoais, acadêmicas ou profissionais como “milagres” ou “exemplos de superação” apenas em razão da deficiência;

• Oferecer ajuda sem perguntar se ela é necessária;

• Utilizar terminologias inadequadas ou ultrapassadas para se referir às pessoas com deficiência;

• Associar características relacionadas à deficiência a erros, incompetência ou comportamentos negativos;

• Fazer comentários ou julgamentos que desconsiderem a autonomia, a capacidade e o protagonismo das pessoas com deficiência.

A construção de uma sociedade inclusiva exige a revisão de atitudes, práticas e discursos que, ainda que naturalizados, produzem exclusão e limitam a participação social.

Para aprofundar o tema, consulte o guia digital do Tribunal Superior do Trabalho: “É capacitismo, e você deve saber – Um miniguia para atitudes que incluam pessoas com deficiência”.

Para conhecer as terminologias recomendadas no contexto da inclusão, acesse a página: Terminologias no contexto da Inclusão

Referências

BBC NEWS BRASIL. Capacitismo: 10 atitudes e expressões que reforçam preconceitos contra pessoas com deficiência. BBC News Brasil, 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0xyyzj3pxzo. Acesso em: 17 jun. 2026.

TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST). É capacitismo, e você deve saber: um miniguia para atitudes que incluam pessoas com deficiência. Brasília: TST, 2021. Disponível em: https://www.tst.jus.br. Acesso em: 17 jun. 2026.

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 3ª REGIÃO (TRT-MG). TST lança guia digital para combater o capacitismo. Belo Horizonte, 2021. Disponível em: https://portal.trt3.jus.br/internet/conheca-o-trt/comunicacao/noticias-institucionais/tst-lanca-guia-digital-para-combater-o-capacitismo. Acesso em: 17 jun. 2026.